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Permito a transcrição, no todo ou em parte, do texto que se segue, desde que citada a sua origem:

 

Joel CLETO - A Igreja do Senhor de Matosinhos. Agenda da Câmara Municipal. Matosinhos: Câmara Municipal, 2005.

 

 

 

 

A IGREJA DO SENHOR DE MATOSINHOS

 

por: Joel Cleto

 

 

 

A IGREJA DE MATOSINHOS

Um dos símbolos por excelência de Matosinhos, a igreja do Bom Jesus está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1982.

Erigida no século XVI, a mando da Universidade de Coimbra que desde 1542 possuía o padroado de “Sam Salvador de Bouças”, a actual igreja de Matosinhos veio substituir um velho e arruinado templo até aí existente, a algumas centenas de metros de distância, no lugar de Bouças – local onde, na Idade Média, existira um mosteiro.

 A obra de construção do novo templo renascentista foi entregue, em 1559, a um célebre imaginário/arquitecto de então: João de Ruão. O prazo inicialmente previsto para a construção foi de quatro anos. Demorou vinte! E na fase final da edificação, entre 1576 e 1579, um outro famoso artista da época, Tomé Velho, juntou-se a João de Ruão.

Embora as dimensões da igreja não se tenham alterado significativamente, resta muito pouco desse templo inicial. Com efeito, e à excepção das colunas que dividem interiormente as três naves, não nos é possível observar muitos vestígios dessa primeira época. Com efeito a igreja foi profundamente alterada no século XVIII. Não só a capela-mor sofreu profundas alterações nas duas primeiras décadas daquele século, como todo o resto do corpo do edifício seria significativamente alterado, a partir de 1743, pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni que levantou as paredes laterais e produziu uma fachada barroca totalmente nova. Durante o século XVIII o interior da igreja foi coberto, de um modo significativo, por talha dourada, ao gosto do barroco, abrigando algumas das melhores obras-primas dessa arte no nosso país.  

 

LENDA DA IMAGEM DO BOM JESUS DE MATOSINHOS

A Imagem do Bom Jesus de Matosinhos é a mais antiga representação existente em Portugal, esculpida em madeira, de um Cristo crucificado em tamanho natural.

Embora tipologicamente seja possível enquadrar esta escultura na transição do românico para o gótico, e datá-la entre os últimos anos do século XII e os primeiros do XIV, a origem lendária deste crucifixo está, no entanto, profundamente enraizada na comunidade e na tradição popular. Segundo esta, o autor da imagem é Nicodemos, personagem bíblica que, com a ajuda de José de Arimateia, retirou Cristo da cruz e o depositou no sepulcro. Impressionado com os acontecimentos que testemunhara, e porque era bastante dotado para o trabalho em madeira, Nicodemos resolve esculpir diversas imagens de Cristo crucificado, sendo auxiliado nesse seu trabalho pela circunstância de possuir o santo sudário – o tecido que, por ter envolvido o ensanguentado corpo de Cristo, reproduzia fielmente a imagem e as feições de Jesus.

Estas imagens não permanecerão, contudo, muito tempo na sua posse. Sendo comprometedores indícios face às perseguições de que os cristãos são vítimas por parte dos judeus e romanos, Nicodemos lança as suas imagens às águas do Mediterrâneo.

A mais bela e perfeita de todas, a que melhor reproduzia a face de Cristo – por sinal a primeira que havia sido esculpida – depois de cruzado o estreito de Gibraltar e sulcado o Atlântico junto às costas portuguesas, acabou por ser depositada pelas águas na praia do Espinheiro, junto ao lugar de Matosinhos. Estávamos, ainda segundo a lenda, no dia 3 de Maio do ano 124.

Recolhida a imagem na praia pela população, constatou-se, contudo, que lhe faltava um dos braços. No local não se encontrou o membro em falta e, por muitos braços que se tenham mandado fazer aos melhores artífices, nenhum encaixava de forma perfeita no ombro amputado. E assim, resignados, deixam ficar a imagem resguardada no Mosteiro de Bouças, localizado não muito longe do local do seu aparecimento. Até que...

Cinquenta anos depois, na praia, uma pobre mulher recolhe lenha. De regresso a casa observa, estupefacta, que um grande pedaço de madeira teima em, milagrosamente, saltar do fogo sempre que para ele era lançado. Milagre reforçado por ter sido uma jovem filha a indicar à mãe que a lenha em questão era o membro ausente na imagem do Senhor guardado no Mosteiro de Bouças. Facto que em si não encerraria nada de especial não fosse a circunstância de, até aquele momento, a miúda ter sido surda-muda de nascença...

Rapidamente aplicado no crucifixo, de imediato se constatou estar em presença do braço até aí extraviado. Começava assim a veneração desta imagem que, desde muito cedo, fez rumar a Bouças e, depois da sua transferência no século XVI para a nova igreja, a Matosinhos, inúmeros peregrinos e romeiros fascinados com a fama crescente dos seus milagres que, desde então, não deixaram de se multiplicar.

Independentemente da lenda, a referência histórica e documental mais antiga, até agora conhecida, à imagem e à devoção que lhe está associada data de 1342.

 

NAVE SUL E CAPELA DO SENHOR DOS PASSOS

A nave sul da igreja de Matosinhos –o lado da Epístola - é dominada pela capela do Senhor dos Passos localizada no transepto. Trata-se de um belíssimo conjunto do período barroco joanino, tendo a talha dos seus retábulos e frontispício sido executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O douramento e a pintura desta obra terão sido executados, poucos anos depois, por um outro mestre da cidade do Porto: José da Mota Manso.

Nesta capela destaca-se um trio de imagens evocativo da Paixão: o Senhor dos Passos, a Senhora da Soledade (Stabat Mater) e, em posição jacente, o “Senhor Morto”. Curiosa é, pintada no retábulo da parede sul, uma representação do “Senhor da Caninha Verde”.

Na parede lateral da nave sul abrem-se, igualmente, dois retábulos: o de S. Pedro e o da Árvore de Jessé.

 

RETÁBULO E IMAGEM DE S. PEDRO

Imagem de S. Pedro no retábulo que lhe é consagrado, na nave sul da igreja de Matosinhos.

O retábulo é obra provável do entalhador Domingos Martins Moreira, concluído em 1751 com a aplicação do dourado por José da Mota.

Quanto à imagem, datável do século XVIII, S. Pedro aparece aqui representado como Papa, envergando uma indumentária profusamente decorada e policromática. Ressaltam não só as luvas vermelhas e a cruz processional de três travessas que empunha, mas também a tiara que, com as suas três coroas – triregnum – é um atributo exclusivo dos papas.

Considerado o maior dos Apóstolos, Pedro foi, segundo a tradição, o primeiro bispo de Roma. Aí terá sido, no tempo de Nero (64 d. C.), preso e crucificado de cabeça para baixo. É celebrado anualmente a 29 de Junho.

 

IMAGEM NOSSA SENHORA DA LUZ NO RETÁBULO DE S. PEDRO

Imagem de Nossa Senhora da Luz. Retábulo de S. Pedro, na parede da nave sul da igreja.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, obra provável do entalhador portuense Domingos Moreira, concluído em 1751 com trabalhos de douramento por José da Mota.

A imagem de Nossa Senhora da Luz, obra menor da transição do século XIX para o XX, surge-nos nesta representação empunhando um círio e segurando o Menino, numa alusão ao episódio da Apresentação de Jesus no templo (cuja festa se assinala a 2 de Fevereiro). Esta invocação de Nossa Senhora contribuiu, ao longo dos tempos, para a cristianização de usos e ritos pagãos ancestrais em torno da luz, do fogo e, muito especialmente, do Sol. A título de exemplo refira-se que a festa do Natal de Jesus substituiu em Roma, por volta do ano 330, a do solstício do Inverno, na qual se celebrava o “nascimento” de Zeus-Hélios – o Sol invicto.

 

IMAGEM DE SANTA RITA NO RETÁBULO DE S. PEDRO

Imagem de Santa Rita de Cássia. Retábulo de S. Pedro, na parede da nave sul da igreja.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, é obra provável do entalhador portuense Domingos Moreira, concluído em 1751 com a aplicação dos dourados por José da Mota.

A imagem de Santa Rita é um trabalho em madeira, de meados do século XX, da autoria do famoso escultor-santeiro Guilherme Ferreira Thedim, de Santa Cruz do Bispo.

Abreviatura de Margarita, Rita viveu em Itália no século XV. Na sequência da morte dos seus filhos e do marido recolheu ao convento de Cassia, motivo pelo qual surge com as vestes de monja agostinha. Evocada em casos desesperados, Santa Rita (celebrada a 22 de Maio) é representada com a ferida que possuía na fronte e que não sarava. Considerada estigmatizada, tal ferimento era associado a um dos espinhos da coroa de Cristo.

 

IMAGEM DE NOSSA SRA. AUXILIADORA NO RETÁBULO DE S. PEDRO

Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Retábulo de S. Pedro, na parede da nave sul da igreja de Matosinhos.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, é obra provável do entalhador portuense Domingos Martins Moreira, concluído em 1751 com trabalhos de douramento por José da Mota Manso.

A imagem, coroada, de Nossa Senhora Auxiliadora, empunhando um ceptro e segurando no Menino, representa uma das muitas invocações provenientes da fértil imaginação popular em relação à Mãe de Deus. Entre essas invocações multiplicaram-se e foram sempre muito cultuadas aquelas em que se evidenciava e pedia a sua intercepção/protecção. Caso, entre outros, de Nossa Senhora do Socorro ou Auxiliadora.

 

IMAGEM DE SANTA LUZIA NO RETÁBULO DE S. PEDRO

Imagem de Santa Luzia. Retábulo de S. Pedro, na parede da nave sul da igreja de Matosinhos.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, é obra provável do entalhador portuense Domingos Martins Moreira, concluído em 1751 com a aplicação dos dourados pelo ”mestre dourador” José da Mota Manso.

A imagem de Santa Luzia representa uma nobre jovem romana, numa alusão à tradicional história que anda associada a esta santa. Luzia de Siracusa (festejada a 13 de Dezembro) seria, com efeito, uma jovem virgem que, convertida ao cristianismo, foi perseguida e cruelmente martirizada depois de se ter recusado a ir para um bordel, tendo-lhe sido arrancados os olhos e posteriormente degolada. Nesta imagem a santa apresenta um dos atributos mais correntes na sua iconografia: dois olhos num prato, numa clara alusão ao seu martírio.

 

RETÁBULO DA ÁRVORE DE JESSÉ

Retábulo da Árvore de Jessé (pormenor da base). Parede lateral da nave sul da igreja.

Considerada uma das mais belas “Árvores de Jessé” existente em Portugal, é das mais emblemáticas obras artísticas deste monumento, sendo seu provável autor o entalhador portuense Domingos Martins Pereira, por volta de 1752. Este retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, terá sido igualmente dourado e pintado pelo mestre José da Mota Manso, dadas as semelhanças com os outros retábulos da igreja que sabemos terem sido por si trabalhados.

No pormenor desta fotografia pode-se observar, deitado e servindo de raiz, a figura de Jessé (ou Isai), pai de David. Dele nasce uma árvore que representa, iconograficamente, a genealogia de Jesus. Do tronco da árvore saem ramos com os reis de Judá ou, por vezes, os Profetas.

 

RETÁBULO DA ÁRVORE DE JESSÉ

Retábulo da Árvore de Jessé (pormenor do topo). Parede lateral da nave sul da igreja.

Deste retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, terá sido seu provável autor o entalhador portuense Domingos Martins Pereira, por volta de 1752. A pintura policromada da Árvore e o douramento do retábulo pertencerão ao mestre José da Mota Manso, dadas as semelhanças com os outros retábulos da igreja que sabemos terem sido por si trabalhados.

Representações iconográficas da genealogia de Jesus, as Árvores de Jessé possuem uma origem medieval (séc. XII). De Jessé adormecido nasce uma árvore que, em cada ramo, apresenta um dos rei de Judá (David, Salomão...), culminando no seu topo com uma representação da Virgem com o Menino, tal como se pode observar na igreja de Matosinhos.

 

IMAGEM DE N. SRA DO CARMO NO RETÁBULO DA ARVORE DE JESSÉ

Imagem de Nossa Senhora do Carmo. Retábulo da Árvore de Jessé, na parede lateral da nave sul da igreja de Matosinhos.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, sendo seu provável autor o entalhador portuense Domingos Martins Pereira, por volta de 1752. A pintura policromada da Árvore e o douramento do retábulo pertencerão ao mestre José da Mota Manso. Na foto observa-se pormenorizadamente dois dos doze reis de Judá que compõem a Árvore.

A imagem de Nossa Senhora do Carmo, coroada e segurando o Menino, apresenta na outra mão um dos seus principais atributos: os escapulários. Enriquecidos com indulgências pela Igreja, os escapulários de Nossa Senhora do Carmo asseguram, segundo a tradição, grandes benefícios espirituais a quem os use permanentemente.

 

IMAGEM DE SANTA ZITA NO RETÁBULO DA ARVORE DE JESSÉ

Imagem de Santa Zita. Retábulo da Árvore de Jessé, na parede lateral da nave sul da igreja.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, sendo seu provável autor o entalhador portuense Domingos Martins Pereira, por volta de 1752. A pintura policromada da Árvore e o douramento do retábulo pertencerão ao mestre José da Mota Manso. Na foto observa-se pormenorizadamente dois dos doze reis de Judá que compõem a Árvore.

A imagem de Santa Zita é um trabalho em madeira, de meados do século XX, da autoria do famoso escultor-santeiro Guilherme Ferreira Thedim, de Santa Cruz do Bispo.

Zita de Luca, festejada a 27 de Abril, viveu no século XIII, tendo sido toda a vida serva de uma importante família. É, por tal motivo, a santa padroeira das empregadas domésticas e cozinheiras. A bilha que segura numa das mãos é uma alusão a um milagre que lhe é atribuído ao transformar água em vinho.

 

IMAGEM MENINO JESUS PRAGA NO RETÁBULO DA ARVORE DE JESSÉ

Imagem do Menino Jesus de Praga. Retábulo da Árvore de Jessé, na parede lateral da nave sul da igreja de Matosinhos.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, sendo seu provável autor o entalhador portuense Domingos Martins Pereira, por volta de 1752. A pintura policromada da Árvore e o douramento do retábulo pertencerão ao mestre José da Mota Manso.

A imagem do Menino Jesus de Praga é um trabalho em madeira, de meados do século XX, da autoria do famoso escultor-santeiro Guilherme Ferreira Thedim, de Santa Cruz do Bispo. Esta era, de resto, uma das imagens mais queridas deste mestre santeiro.

 

IMAGEM DE SANTA TERESINHA NO RETÁBULO DA ARVORE DE JESSÉ

Imagem de Santa Teresinha ou Teresa do Menino Jesus. Retábulo da Árvore de Jessé, na parede lateral da nave sul da igreja.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, sendo seu provável autor, por volta de 1742, o entalhador portuense Domingos Martins Pereira. A pintura policromada da Árvore e o douramento do retábulo pertencerão ao mestre José da Mota Manso. Na foto observa-se um pormenor da representação de Jessé adormecido na base da Árvore.

A imagem de Santa Teresinha é um trabalho em madeira, de meados do século XX, da autoria do famoso escultor-santeiro Guilherme Ferreira Thedim, de Santa Cruz do Bispo.

Teresa de Lisieux, ou do Menino Jesus, festejada a 1 de Outubro, nasceu em 1873 e cedo se tornou carmelita descalça, tendo morrido de tuberculose aos vinte e quatro anos.

 

IMAGEM DE N. SRA DE FÁTIMA NO RETÁBULO DA ARVORE DE JESSÉ

Imagem de Nossa Senhora de Fátima. Retábulo da Árvore de Jessé, na parede lateral da nave sul da igreja.

Retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, sendo seu provável autor, por volta de 1752, o entalhador portuense Domingos Martins Pereira. O douramento deste retábulo é atribuído ao mestre José da Mota Manso.

A imagem de Nossa Senhora de Fátima, de meados do século XX, é da autoria do famoso mestre escultor-santeiro Guilherme Ferreira Thedim, de Santa Cruz do Bispo.

 

CAPELA MOR E NAVE CENTRAL

Capela-mor, nave central e nave sul da igreja de Matosinhos.

Devota rezando voltada para a imagem de Nossa Senhora de Fátima, localizada junto ao retábulo da Árvore de Jessé na parede lateral da nave sul .

 

CAPELA DO SENHOR DOS PASSOS

Capela do Senhor dos Passos. Nave sul da igreja de Matosinhos.

Belíssimo conjunto de talha dourada do período barroco joanino, esta capela foi executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O douramento desta obra terá sido executado, poucos anos depois, por um outro mestre da cidade do Porto: José da Mota Manso.

Na fotografia observa-se, em segundo plano, pormenores do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora da Soledade (Stabat Mater ). Em primeiro plano, na coluna do arco-cruzeiro que divide a capela do Senhor dos Passos da capela-mor, salienta-se sobre mísula de talha apoiada em saliência-suporte, a escultura de uma formosa figura feminina ostentando motivos da Paixão (coroa de espinhos e os três cravos da crucificação de Cristo). Obra provável do referido mestre entalhador.

 

ARCO CRUZEIRO DA CAPELA MOR DA IGREJA DE MATOSINHOS

Capelar-mor, arco cruzeiro e nave central da igreja de Matosinhos.

Considerado um dos mais belos conjuntos barrocos de talha dourada do país, o arco cruzeiro, os retábulos e tecto da capela-mor da igreja de Matosinhos, da autoria do portuense mestre entalhador Luís Pereira da Costa, foram executados entre 1726 e 1730. Concluída a obra de talha procedeu-se, entre 1731 e 1733, ao seu douramento, tendo a obra sido arrematada pelos mestres douradores Bento de Sousa e seu filho Caetano de Sousa Coutinho, de S. Cristóvão de Refojos, e João Lopes da Maia e seu filho José Lopes, de Braga.

Na nave central destacam-se dois púlpitos adossados às colunas, igualmente em talha dourada, executados em 1747-1748 pelo mestre Domingos Martins Moreira e dourados no ano seguinte. Assentes em mísulas de granito, o acesso ao púlpito é feito por escada em caracol.

 

 IMAGEM DE O SALVADOR NO ARCO CRUZEIRO

Imagem de O Salvador. Arco cruzeiro da igreja de Matosinhos.

Obra de referência da talha portuguesa do século XVIII, executada entre 1726 e 1730 por Luís Pereira da Costa, considerado como um dos melhores mestres do seu tempo, o arco cruzeiro da igreja de Matosinhos é encimado por uma imagem do orago da povoação: O Salvador.

Não obstante a imagem do Bom Jesus de Matosinhos ser o centro das atenções desde a construção da igreja no século XVI, a verdade é que, embora algo despercebida, a imagem daquele que é, efectivamente, o padroeiro de Matosinhos desde as mais antigas referências medievais ao lugar, continua a ser a que se encontra colocada no nicho mais elevado do templo. 

 

TALHA DOURADA DO ALTAR MOR

Representação de crianças (putti). Talha dourada da capelar-mor da igreja de Matosinhos.

Obra-prima do barroco da madeira em Portugal, a talha da capela-mor desta igreja foi executada entre 1726 e 1730 pelo mestre Luís Pereira da Costa, da cidade do Porto, e dourada nos três anos imediatos.

Contudo, durante os séculos seguintes, o pó, os fumos das velas e as sucessivas camadas de cera aplicadas sobre a talha acabaram por obscurecer totalmente o trabalho original. Ao longo dos últimos doze anos, no entanto, a igreja de Matosinhos vem sendo objecto de uma cuidada e exemplar intervenção de restauro que, entre outros, tem libertado a talha dessa “sujidade temporal” devolvendo-lhe o brilho e esplendor originais. Na capela-mor, e deixado propositadamente como registo, um dos putti não foi, propositadamente, objecto de limpeza originando o contraste que esta fotografia documenta.

 

CAPELA-MOR DA IGREJA DE MATOSINHOS

Capelar-mor da igreja de Matosinhos.

Considerada como uma das mais marcantes intervenções da talha portuguesa, esta obra-prima, incluindo o arco-cruzeiro, foi arrematada em 1726 por um dos melhores mestres do seu tempo, Luís Pereira da Costa, do Porto, e dourada entre 1731 e 1733 pelos mestres douradores Bento de Sousa e seu filho Caetano de Sousa Coutinho, de S. Cristóvão de Refojos, e João Lopes da Maia e seu filho José Lopes, de Braga. O trabalho destes artífices terá sido feito, segundo o contrato, com base no desenho de um Religioso do qual, no entanto, não nos é fornecido o nome nem a instituição religiosa a que pertencia.

Nas ilhargas da capela, a Paixão de Cristo é narrada em fabulosos painéis esculpidos pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, transmitindo uma emoção verdadeiramente inserida no espírito barroco.

No altar-mor localizam-se as imagens do Bom Jesus de Matosinhos, ladeado, aos seus pés, pela Virgem Maria e pelo apóstolo S. João. Ao lado aparecem representadas duas figuras de relevo no contexto da lenda do Senhor de Matosinhos: Nicodemos e José de Arimateia.

 

IMAGEM DO BOM JESUS DE MATOSINHOS

Capela-mor da igreja de Matosinhos. Pormenor do rosto da imagem do Bom Jesus.

Aquela que é, provavelmente, a mais antiga imagem existente em Portugal de um Cristo crucificado, em madeira e em tamanho natural, datará de um período compreendido entre os finais do século XII e os inícios do XIV, na transição do românico para o gótico.

Embora apresente muitas características “arcaicas” e românicas (fraco realismo anatómico do corpo, posição rígida ao longo da cruz, preocupações pudicas dos panos da pureza que quase ocultam todo o corpo abaixo da cintura, mãos que não se crispam com dor...), o rosto, de maior cuidado artístico e expressando dor, aproximam-no mais do espírito e tradição góticas. A posição dos seus olhos (“O Senhor de Matosinhos é vesgo” – afirma a tradição popular) insere-se igualmente neste espírito, uma vez que nos encontramos perante um Cristo mediador que olha simultaneamente para o Pai e para os Homens.

A longa cabeleira, a coroa de espinhos em prata e o rico resplendor são adereços introduzidos na imagem no século XVIII, bem ao gosto do barroco.

 

IMAGEM DE NICODEMOS

Imagem de Nicodemos. Capela-mor da igreja de Matosinhos.

Obra da segunda metade do século XVI, da autoria do célebre imaginário João de Ruão, a quem a Universidade de Coimbra encomendou em 1559 a construção da igreja de Matosinhos e, em 1572, o retábulo do templo, esta imagem de Nicodemos, em pedra, representa uma das personagens centrais da Lenda do Senhor de Matosinhos. É a Nicodemos que, com efeito, é atribuída a autoria do crucifixo, tarefa que realiza inspirado no facto de ter sido ele a recolher o corpo de Jesus da cruz, e de o ter envolvido num sudário onde ficou impresso o corpo e rosto de Cristo. É de resto o sudário que esta imagem segura nas mãos, bem assim como um dos instrumentos da Paixão: a tenaz.

A tradição de Nicodemos como escultor, nomeadamente de imagens de Cristo, transformou-o durante o Renascimento no santo patrono destes artífices. Há outras imagens de Cristo atribuídas a Nicodemos em Lucca e Chioggia (Itália), Ourense, Burgos, Finisterra e Balaguer (Espanha).

 

IMAGEM DE JOSÉ DE ARIMATEIA

Imagem de José de Arimateia. Capela-mor da igreja de Matosinhos.

Obra da segunda metade do século XVI, da autoria do célebre imaginário João de Ruão, a quem a Universidade de Coimbra encomendou em 1559 a construção da igreja de Matosinhos e, em 1572, o retábulo do templo, esta imagem de José de Arimateia, em pedra, representa uma das personagens da Lenda do Senhor de Matosinhos. É José de Arimateia que, com efeito, auxilia Nicodemos a recolher o corpo de Jesus da cruz e a envolvê-lo no sudário onde ficariam impressos o corpo e rosto de Cristo. É de resto o sudário que esta imagem segura numa das mãos. Na outra, contudo, agarra a relíquia que o tornaria famoso e no centro de uma lenda extremamente popular que varreu toda a Europa medieval e que chegou até aos nossos dias: o Santo Graal – o cálice da Última Ceia, no qual Arimateia terá recolhido igualmente algum do sangue libertado por Cristo na cruz.

 

“ULTIMA CEIA” – PAINEL DA CAPELA-MOR

“Última Ceia”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga,  este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

ANJOS TOCHEIROS NA CAPELA-MOR

Anjos tocheiros. Capela-mor da igreja de Matosinhos.

Considerada como uma das mais marcantes intervenções de talha do barroco português,  a obra da capela-mor foi arrematada, em 1726, por um dos melhores mestres do seu tempo, Luís Pereira da Costa, do Porto, e dourada e pintada entre 1731 e 1733 pelos mestres douradores Bento de Sousa e seu filho Caetano de Sousa Coutinho, de S. Cristovão de Refojos, e João Lopes da Maia e seu filho José Lopes, de Braga. A estes últimos se deverá, portanto, o  aspecto policromado destes anjos tocheiros que se alongam em ambas as ilhargas da capela.

A presença, na iconografia da talha barroca, de anjos, anjinhos e putti (visíveis em segundo plano), bem assim como das colunas salomónicas ou das vinhas, remetem-nos para um tema dominante deste período: a nostalgia do Paraíso.

 

“JESUS NO JARDIM DAS OLIVEIRAS” – PAINEL DA CAPELA-MOR

“Jesus orando no Jardim das Oliveiras, enquanto os discípulos (Pedro, Tiago e João) dormem”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

TÚMULO (SIMULADO) DO BISPO GERALDO DOMINGUES NA CAPELA-MOR

Túmulo do Bispo D. Geraldo Domingues. Capela-mor da igreja de Matosinhos.

No conjunto da obra de talha executada pelo mestre Luís Pereira da Costa, entre 1726 e 1730, destaca-se no lado norte da capela-mor o túmulo (simulado) deste clérigo, personagem poderosa e influente nos inícios do século XIV. Bispo do Porto entre 1300 e 1308, Geraldo era um homem próximo e da máxima confiança do rei D. Dinis que, em 1306, lhe faz a doação do padroado de Bouças. Apesar da sua vida o ter levado para Castela (entre 1308 e 1313) e Évora (onde será Bispo de 1314 até à sua morte em 1321), terá mantido uma relação estreita com os seus domínios em Matosinhos (Bouças). Tal ficará expresso no seu testamento e no facto de (cumprindo uma vontade pessoal?) o seu corpo ter sido trasladado de Évora para Bouças onde foi sepultado no altar-mor. A “última morada” do bispo foi, no século XVI, transferida para o novo templo, em Matosinhos, e devidamente assinalada, no século XVIII, na talha da capela-mor.

 

“JESUS DIANTE DOS SACERDOTES” – PAINEL DA CAPELA-MOR

 “Jesus diante dos sacerdotes ”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

PINTURAS SOB ALTAR-MOR

Vestígios de antigas e raras pinturas sobre madeira e estuque. Século XVIII. Dependência sob o altar-mor do Bom Jesus, nas traseiras da capela-mor da igreja de Matosinhos.

 

“ FLAGELAÇÃO DE JESUS” – PAINEL DA CAPELA-MOR

 “Flagelação de Jesus”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

CAPELA-MOR E NAVE CENTRAL DA IGREJA DO BOM JESUS

Capela-mor e nave central da igreja do Bom Jesus de Matosinhos durante cerimónia religiosa. Perspectiva obtida do coro-alto.

 

“EXIBIÇÃO PÚBLICA DE JESUS” – PAINEL DA CAPELA-MOR

 “Exibição pública de Jesus”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

TECTO DA CAPELA-MOR

Pormenor do tecto. Capela-mor da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

Obra de talha barroca joanina do mestre entalhador Luís Pereira da Costa, do Porto, por contrato de Setembro de 1726. Do seu douramento e pintura encarregaram-se, por contrato de 1731, os mestres douradores Bento de Sousa e seu filho Caetano de Sousa Coutinho, de S. Cristovão de Refojos, e João Lopes da Maia e seu filho José Lopes, de Braga.

Além da pintura central, representando a Ascensão de Cristo aos Céus, os múltiplos caixotões do tecto apresentam, pintados, diversos versículos bíblicos.

 

“COROAÇÃO DE ESPINHOS” – PAINEL DA CAPELA-MOR

“Coroação de Espinhos”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

“ENCONTRO COM SANTA VERÓNICA” – PAINEL DA CAPELA-MOR

“Jesus com a Cruz. Encontro com Santa Verónica”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

SANTA VERÓNICA

Santa Verónica. Capela do Santíssimo Sacramento. Nave norte da igreja de Matosinhos.

Belíssimo conjunto  de talha dourada do período barroco joanino, esta capela foi executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O douramento desta obra foi executado, por contrato de Junho de 1750, por um outro mestre da cidade do Porto: José da Mota Manso.

Na fotografia observa-se, em primeiro plano, na coluna do arco-cruzeiro que divide a capela do Santíssimo Sacramento da capela-mor, sobre uma mísula de talha e sob um dossel de cortinado igualmente em talha, uma escultura de grande qualidade de Santa Verónica, empunhando o pano ao qual limpou a face ensanguentada de Cristo, a caminho do Calvário. Celebrada a 4 de Fevereiro, esta santa fictícia é sempre representada com o pano no qual ficou impressa a Santa Face de Jesus.

 

“CRUCIFICAÇÃO” – PAINEL DA CAPELA-MOR

“Crucificação”. Cena da Paixão de Cristo em painel policromado nas ilhargas da capela-mor da igreja de Matosinhos.

Esculpido pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, este painel faz parte de um fabuloso conjunto de oito cenas que despertam emoções perfeitamente inseridas no espírito barroco. Estes “quadros”, produzidos entre 1726 e 1730, fazem parte da obra-prima de talha da capela-mor, da autoria do mestre Luís Pereira da Costa, do Porto.

 

NAVE NORTE DA IGREJA E CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

A nave norte da igreja de Matosinhos –o lado do Evangelho - é dominada pela capela do Santíssimo Sacramento localizada no transepto. Trata-se de um belíssimo conjunto do período barroco joanino, tendo a talha dos seus retábulos e frontispício sido executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O douramento e pintura desta obra foi executado, por contrato de Junho de 1750, por um outro mestre da cidade do Porto: José da Mota Manso.

Na parede lateral da nave norte abrem-se, igualmente, dois retábulos: o de Nossa Senhora da Conceição e o de S. José. É ainda nesta nave que se encontra a pia baptismal.

 

CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Capela do Santíssimo Sacramento. Nave norte da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

Obra de talha dourada de grande qualidade artística, do período barroco joanino, executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O douramento e a pintura desta obra foram realizados, por contrato de Junho de 1750, por um outro mestre da cidade do Porto: José da Mota Manso.

Captando grande número de fieis, esta capela, na parte inferior da qual podemos observar o Sacrário, é um dos espaços mais sagrados da igreja, representando o Santíssimo Sacramento o Pão Eucarístico, alimento e símbolo da unidade entre os cristãos e destes com Deus.

 

“ULTIMA CEIA” – PAINEL NA CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

“Última Ceia”. Painel policromado nas ilhargas da Capela do Santíssimo Sacramento. Nave norte da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

Obra de talha de grande qualidade artística executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. A sua pintura foi realizada, por contrato de Junho de 1750, pelo mestre José da Mota Manso, também da cidade do Porto.

Nesta mesma capela existe, do lado oposto, um outro painel policromado representando a cena do Lava Pés.

 

“ARCA DA ALIANÇA” - CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

“Arca da Aliança”. Frontispício da Capela do Santíssimo Sacramento. Nave norte da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

Obra de talha de grande qualidade artística executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O seu douramento foi realizado, por contrato de Junho de 1750, pelo mestre José da Mota Manso, da cidade do Porto.

Receptáculo da Lei, pois nela Moisés guardou as duas tábuas de pedra com os Dez Mandamentos, a Arca da Aliança era considerada, no Velho Testamento, como um sinal visível da presença de Deus. Claramente baseada na descrição bíblica, a Arca é-nos aqui representada revestida a ouro e sustentando dois querubins, igualmente em ouro, entre os quais Javé se sentava, invisível.

 

IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Imagem de Nossa Senhora da Conceição no retábulo que lhe é consagrado, na nave norte da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

O retábulo é obra provável do entalhador Domingos Martins Moreira, concluído em 1751 com a aplicação do dourado por José da Mota.

Datável do século XX, a imagem apresenta uma coroa sobre a sua cabeça, numa referência ao facto de, em 1646, o rei D. João IV ter proclamado Nossa Senhora da Conceição como padroeira de Portugal, oferecendo-lhe a coroa. Desde então nunca mais nenhum monarca português utilizou a coroa que, em contrapartida, passou a ser um dos atributos iconográficos destas imagens.

A tradição da imaculidade de Maria (a única mulher que nasceu sem pecado original) é bastante antiga e muito popular. Contudo, foi apenas em 1854 que o Papa Pio IX transformou esta tradição em fé, proclamando o dogma da Imaculada Conceição (Concepção).

 

IMAGEM DO BEATO NUNO ÁLVARES PEREIRA

Imagem do Beato Nuno Álvares Pereira. Retábulo de Nossa Senhora da Conceição, na nave norte da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

O retábulo é obra provável do entalhador Domingos Martins Moreira, concluído em 1751 com a aplicação do dourado por José da Mota.

A imagem do Beato representa-o, iconograficamente, como uma figura religiosa, mas também, sob a sua indumentária, com adereços de guerreiro. Estamos, afinal, perante uma representação do maior líder militar português de todos os tempos, herói na Crise de 1383-85, que contudo, no final da sua existência, distribuiu os seus bens, abandonou o mundo e abraçou a vida monástica como Frei Nuno de Santa Maria.

 

IMAGEM DA RAINHA SANTA ISABEL

Imagem da Rainha Santa Isabel de Portugal. Retábulo de Nossa Senhora da Conceição, na nave norte da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

O retábulo é obra provável do mestre entalhador Domingos Martins Moreira, do Porto, concluído em 1751 com a aplicação do dourado pelo mestre José da Mota.

Esta imagem da Rainha Santa Isabel datará dos finais do século XIX, tendo sido restaurada nas Oficinas de Guilherme Ferreira Thedim, em Santa Cruz do Bispo, em meados do século XX. Festejada a 4 de Julho, a Rainha Santa Isabel (1271-1336 e canonizada em 1625) está associada a numerosos milagres, dos quais o mais conhecido é o da transformação de pão em rosas. É esse (uma abada de rosas), de resto, o atributo mais frequente nas suas representações iconográficas. 

 

ANJINHOS NA IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Anjinhos. Pormenor da base da imagem de Nossa Senhora da Conceição no retábulo que lhe é consagrado, na nave norte da igreja do Bom Jesus  de Matosinhos.

 

JANELA DA IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS

Janela. Nave do lado do Evangelho (norte) da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

Um dos mais evidentes elementos arquitectónicos resultante da intervenção do arquitecto Nicolau Nasoni neste templo, a partir de 1743, foi o altear das paredes laterais da igreja. Tal permitiu, não só a edificação dos quatro retábulos das naves laterais, mas também a abertura de diversas e elegantes janelas. Estas possuem sanefas e varandas em talha de grande qualidade, produzidas e colocadas no seu lugar entre 1753 e 54. O mestre entalhador terá sido Manuel da Costa Andrade e o seu douramento, executado no ano seguinte, foi assegurado por Luís Pinto.

 

IMAGEM DE S. JOSÉ

Imagem de S. José no retábulo que lhe é consagrado, na nave norte da igreja do Bom Jesus  de Matosinhos.

O retábulo é obra do mestre entalhador Domingos Martins Moreira, que se sabe nele ter trabalhado em 1747-48. Os trabalhos só se deram por concluídos em 1751-52 com a aplicação do dourado pelo mestre José da Mota.

Datada do século XVIII, a imagem de S. José (festejado a 19 de Março) apresenta-se com os atributos iconográficos que lhe são habituais: segurando o Menino Jesus numa das mãos e com um ramo de lírios na outra.

 

IMAGEM DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

Imagem de Nossa Senhora das Graças no retábulo de S. José, na nave norte da igreja do Bom Jesus  de Matosinhos.

O retábulo é obra do mestre entalhador Domingos Martins Moreira, que se sabe nele ter trabalhado em 1747-48. Os trabalhos só se deram por concluídos em 1751-52 com a aplicação do dourado pelo mestre José da Mota.

Datada do século XX, a imagem de Nossa Senhora das Graças é um trabalho da autoria do famoso escultor-santeiro Guilherme Ferreira Thedim, de Santa Cruz do Bispo. O aspecto iconográfico mais curioso desta imagem é a representação das graças que lhe saem das mãos abertas, do mesmo modo que possui o coração aberto para a Humanidade. Esta última particularidade faz com que, muitas vezes, seja confundida com o Sagrado Coração de Maria.

 

ORGÃO DE TUBOS – CORRO ALTO DA IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS

Orgão de tubos. Século XVII. Coro-alto da igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

 

ADRO DA IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS

O conjunto monumental do Bom Jesus de Matosinhos não se esgota unicamente na sua igreja. No adro e em toda a zona exterior envolvente localizam-se diversos imóveis de relevante interesse arquitectónico e histórico. É o caso do velho Cemitério Municipal, nas traseiras da igreja; do edifício sede da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, edificado no último quartel do século XIX, que alberga um interessantíssimo núcleo museológico dedicado à história da instituição, oficialmente surgida em 1607, e à devoção do Bom Jesus, e, no piso térreo, a “Casa dos Milagres”; o edifício das Escolas da Confraria (as primeiras da cidade); o coreto e o jardim romântico; e, no amplo adro fronteiro à igreja, empedrado em 1866, destacam-se seis capelas que representam alguns dos Passos da Paixão.

 

TORRE SINEIRA DA IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS

Torre sineira. Igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

As actuais torres sineiras resultam da intervenção arquitectónica de cunho barroco, da autoria do famoso arquitecto italiano Nicolau Nasoni que aqui trabalhou a partir de 1743.

 

RELÓGIO DE SOL

Relógio de sol. Torre sineira do lado sul. Igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

 

CAPELAS DOS PASSOS DA PAIXÃO – SANTUÁRIO DO BOM JESUS DE MATSOINHOS

No adro da igreja localizam-se seis capelas graníticas, distribuídas de ambos os lados de acesso ao templo. Datadas dos finais do século XVIII, estas capelas albergam cenas e imagens, em madeira e policromadas à escala real, que representam os principais Passos da Paixão de Cristo. Um gradeamento em ferro forjado permite visualizar o seu interior e as referidas cenas. Assim, para quem entra no adro, as do lado direito representam Jesus orando no Jardim das Oliveiras, a Prisão de Jesus, e a Flagelação. As do lado oposto representam Pretório, Ecce Homo, e Jesus transportando a cruz. 

 

“ECCE HOMO”. CAPELAS DOS PASSOS DA PAIXÃO – SANTUÁRIO DE MATSOINHOS

Ecce Homo. Cena dos Passos da Paixão de Cristo. Interior de uma das capelas exteriores do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

 

“FLAGELAÇÃO DE JESUS”. CAPELAS DOS PASSOS DA PAIXÃO

“Flagelação de Jesus”. Cena dos Passos da Paixão de Cristo. Interior de uma das capelas exteriores do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

Conhecida popularmente como capela do “Senhor Atado”, dada a posição em que Cristo se encontra, com as mãos atadas, esta capela é das mais populares motivando grande compaixão por parte dos fiéis. Por outro lado, num evidente fenómeno de sincretismo e de religiosidade popular, há também muita gente que se socorre desta imagem de Jesus para pedir que “ate” o respectivo namorado ou cônjuge.

 

FONTE. ADRO DO SANTUÁRIO DO BOM JESUS DE MATOSINHOS)

Fonte. Adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

 

 

 

 

PARA SABER MAIS:

BRANDÃO, Domingos de Pinho – Obra de talha dourada no concelho de Matosinhos. Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos. Matosinhos: Câmara Municipal. 10 (1963). p.45-106.

CLETO, Joel – Senhor de Matosinhos. Lenda, História, Património. Matosinhos: Câmara Municipal, 1995. ISBN 972-9143-19-6.

CLETO, Joel - De Mafalda a Geraldo: Notas para a datação da imagem do Bom Jesus de Matosinhos. Matesinus. Revista de Arqueologia, História e Património de Matosinhos. Matosinhos: Câmara Municipal. 5 (2004). p.64-77.

CLETO, Joel; LAGO, Isabel – Em busca de um mito: as imagens de Nicodemos. Notícia de uma investigação. Matesinus. Revista de Arqueologia, História e Património de Matosinhos. Matosinhos: Câmara Municipal. 5 (2004). p.78-83

COSTA, Júlio Pinto da – Memórias de Matosinhos. A Imagem do Bom Jesus de Matosinhos. Matosinhos: ed. Jornal de Matosinhos, 2004.

FABIÃO , José M. Gonçalves – A devoção, romaria e festa do Bom Jesus de Matosinhos. Sua origem e evolução. Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos. Matosinhos: Câmara Municipal. 32 (1988). p.313-334.

LAGO, Isabel – Uma Rota de Fé. A devoção ao Bom Jesus de Matosinhos no Brasil. Matosinhos: Câmara Municipal e ANCIMA, 2003. ISBN 972-9143-32-3

SOUSA, M. T. Rodrigues – 800 Anos de Devoção. A Confraria e o Bom Jesus de Matosinhos. Matosinhos: Santa Casa da Misericórdia do Bom Jesus de Matosinhos, 2001. ISBN 972-95686-8-5.

THEDIM, J. M.; THEDIM, G. F.; CLETO, J. – Mestre Guilherme Ferreira Thedim (1900-1985). Uma oficina de escultura religiosa em Matosinhos. Matosinhos: Câmara Municipal e ANCIMA, 2004. ISBN 972-9143-36-6.